Retrospectiva 2025 Sigma: Os lançamentos do ano

Retrospectiva 2025: Os lançamentos do ano – Sigma

Terminada a retrospectiva de 2025 em relação às principais marcas de câmaras, vamos virar-nos para as produtoras de objetivas (e neste caso, de ocasionais câmaras também).

A Sigma é uma marca já bem conhecida dos nossos leitores e clientes, não ficando ninguém alheio à sua relação qualidade/preço. Este ano decidiram lavar a cara, com um novo logotipo e com uma espécie de mini-rebranding, em que a marca basicamente afirma a não criação de novas objetivas para sistemas DSLR (como já era espectável, nesta altura). E com lançamentos que nos deixaram entusiasmados como rapazes de 12 anos a ver Marés Vivas!

A marca há alguns anos que não tem real competição, como rainha das construtoras de objetivas. Mas 2025, deixou-as mais isolada no topo, ou foi um ano de flops que desacreditaram a marca? Vamos ver de seguida.

Introdução

Para quem ainda não conhece as nossas avaliações retrospectivas do ano, estas são divididas em 3 prémios:

  • Hi-Tech de Ouro: para as marcas que tiveram não apenas um ano preenchido mas com lançamentos relevantes nos diversos setores (amador, entusiasta e profissional). Além de tudo, para receber um Hi-Tech de Ouro (que já ouvi dizer ser a mais alta honra no mundo da tecnologia, pelo menos em Rio de Mouro), a marca não pode ter lançado nenhum produto que seja uma desilusão.
  • Hi-Tech de Prata: para as marcas que tiveram um ano fundalmente positivo, mas que lançaram pouco equipamento, ou que algum do equipamento tenha ficado uns furos abaixo das expectativas.
  • Hi-Tech de Pechisbeque: para as marcas que tiveram um ano que lhes passou essencialmente ao lado. É provável que, num mundo de tecnologia altamente competitivo, nunca cheguemos a atribuir esta honra. Até porque marcas que compitam por ela provavelmente não terão relevância para escrevermos sobre elas.

Câmaras Mirrorless

Sim, câmaras mirrorless. Este ano a Sigma lançou uma câmara. Não sendo a primeira da marca, e continuando a ser uma câmara de nicho, é na realidade a primeira câmara que considero utilizável da marca, sem defeitos óbvios e castradores.

Com um design belíssimo, a Sigma BF é uma câmara fashion statement, ficando um pouco à parte do nosso cliente principal, o cliente profissional, ou entusiasta. Não é especialmente ergonómica, não é muito rápida, nem tem a flexibilidade de uma câmara prosumer a sério. No entanto é de referir que para uma câmara tão minimalista, a mesma tem uma qualidade de imagem invejável e um autofoco que não fica muito longe de marcas bem mais batidas.

Objetivas Mirrorless

Este ano a Sigma lançou um total de 8(!!) novas objetivas mirrorless, entre os três segmentos de mercado: amador, entusiasta e profissional. Além disso, fruto do rebranding, a marca actualizou a série de objetivas prime Contemporary para câmaras Full Frame (conhecida por I-Series), de forma a ter o design e nomenclatura em voga com a alteração da marca. Foi além, nesta série, ainda lançada uma versão prata destas objetivas, para serem usadas em pandã com a nova câmara BF prateada.

Não sendo estas objetivas novas, propriamente falando, não entrarão na avaliação do ano para a marca.

Começo por listar as objetivas da série Contemporary. Esta série, para quem ainda não conhece a marca, por ser novo neste mundo ou ter estado a viver numa caverna nos últimos 60 anos, é conhecida por ser uma série de qualidade com preços acessíveis a todos, normalmente poupando em extras, como botões programáveis, coatings mais profissionais para resistência a flares e um isolamento contra intempéries um pouco inferior. São ainda assim objetivas, na sua generalidade, aconselháveis a todo o utilizador.

A Sigma 16-300mm f/3.5-6.7 DC OS Contemporary, foi um lançamento importante. É uma objetiva “faz-tudo”, para sensores APS-C, com compatibilidade com os principais sistemas (excepto Nikon, mas era de esperar), dá uma alternativa de qualidade e preço amigável para utilizadores amadores ou entusiastas que queiram apenas “One Lens To Rule Them All”. Tem estabilização, tem magnificação de 0.5x e um zoom de 18,75x, pesando apenas aproximadamente 600 g. Não há o que não gostar nesta objetiva.

A segunda desta série a ser lançada em 2025 foi a Sigma 12mm f/1.4 DC Contemporary. Esta para mim um pouco mais duvidosa (o comprimento focal equivalente a 18mm em Full Frame, parece-me estranho, e pessoalmente desinteressante). É uma objetiva prime para sensores APS-C (excepto Nikon, as usual e L-Mount, porque ninguém usa APS-C L-Mount) e uma opção que se pode mostrar interessante para quem procure uma objetiva que nem é carne nem peixe (estou se ser um pouco hiperbólico no meu sentimento de repulsa a este comprimento focal, mas se gostarem, escrevam um artigo vosso! Ahahah)!

Por último nesta série, a Sigma 20-200mm f/3.5-6.3 DG Contemporary. Mais uma objetiva faz-tudo, desta vez para sensores Full Frame. Se querem ir de viagem e só querem levar uma objetiva a Sigma tem-vos cobertos este ano! Comparativamente à sua irmã APS-C, esta tem apenas 10x de zoom (mais que suficiente para a vasta maioria do público alvo), e não tem estabilização, o que é pena, apesar de que basicamente todos os corpos onde será usada terão IBIS. É ainda uma opção low-budget muito utilizável.

Além da série Contemporary, a Sigma tem mais 2: Art e Sport. A série Art é a série pensada na melhor qualidade óptica para fotógrafos e videografos. A série Sport é pensada em ação em qualquer lugar, independentemente do clima.

Vamos às objetivas Sport de seguida. A primeira a ser lançada este ano foi uma objetiva que foi pensada por alguém muito louco ou um absoluto génio. A Sigma 300-600mm f/4 DG OS Sports não é uma objetiva normal, para levar ao parque fotografar pombos. É um colosso de quase 4 kg, para sensores Full Frame, com uma qualidade ótica impressionante em todo o comprimento focal. É uma objetiva totalmente única no mercado e qualquer fotógrafo de desporto, ou de natureza em abrigos, poderá ganhar muito em usar algo tão versátil quanto esta.

Se parece e se sente como um topo de gama, a qualidade ótica apenas o confirma. É talvez a minha objetiva favorita do ano, por ser totalmente louca, mas absurdamente boa.

A outra objetiva desta série a ser lançada é em parte um piscar de olhos ao passado, em parte um olhar para o futuro. A Sigma 200mm f/2 DG OS Sports é a primeira 200mm f/2 para câmaras mirrorless, e inova não apenas no preço, muito mais baixo que nos tempos das DSLR’s, mas também no peso, com “apenas” <2Kg. Vai ser uma objetiva muito bem vinda para fotógrafos desportivos (especialmente em pavilhão) assim como fotógrafos de retrato que queiram aquela compressão magnifica.

Da série Art sairam 3 objetivas e acho que os elogios às mesmas são unânimes. Começando pela Sigma 17-40mm f/1.8 DC Art, que veio substituir a extremamente popular Sigma 18-35mm f/1.8 DC HSM Art (dos idos tempos, em que as DSLR dominavam o mundo), é uma objetiva para sensore APS-C fenomenal, garantindo uma abertura máxima de f/1.8 ao longo de todo o comprimento focal. É talvez a objetiva essencial no saco de todo o fotógrafo que a possa usar.

Depois temos a incontornável Sigma 135mm f/1.4 DG Art. Se as 135mm f/1.8 já são objetivas extremamente populares entre fotógrafos de retrato (assim como alguns de desporto), esta é a primeira prime de 135mm com abertura máxima f/1.4, a mostrar que a Sigma tem investido imenso na inovação tecnológica, com designs únicos e de alta qualidade. Sinceramente, pelo preço, é difícil justificar comprar uma 135mm f/1.8 Sony (a Lumix nem nunca teve algo do género), quando se tem acesso a este colosso de engenharia.

Não é pequena, não é leve, mas é um portento!

Por fim, a Sigma 35mm f/1.2 DG II Art, a nova versão da 35mm f/1.2 (que já necessitava de reforma). É a única opção, agora que a primeira versão foi descontinuada, para fotógrafos Lumix, e uma das 2 opções para Sony E (a outra é a Viltrox, também lançada este ano), e é uma excelente escolha para fotógrafos de retrato e de rua. A Sigma conseguiu tirar quase 300g em relação à versão original, assim como encurtá-la em 20%, e isto sem a comprometer opticamente. Mais uma objetiva de peso!

Objetivas de Cinema

Apesar de não as termos listadas no nosso site, não podemos deixar de falar das objetivas de cinema que a Sigma lançou este ano.

Em primeiro, a série Aizu, uma série de objetivas prime que vai dos 23mm aos 75mm, todas com abertura máxima T1.3, e comunicação eletrónica, em montagens Sony E ou a mais versátil PL-Mount. Esta série de 8 objetivas não é super clínica, com algum carácter vincado e flares dramáticos. É uma opção interessante, entrando no high-end de cinema das produtoras de objetivas atuais. Não é o meu kit de objetivas de cinema com grande abertura favorito do ano (esse seria as NiSi Aureus), mas é kit muito interessante, sem dúvida.

Por último, a primeira objetiva da nova série AF Cine, a Sigma 28-45mm T2, uma zoom baseada na popular 28-45mm f/1.8 Art. É essencialmente a mesma objetiva, num corpo de cinema, com tudo o que importa ter, e com a qualidade ótica que deu popularidade à objetiva da série Art. Com zoom e autofoco, esta objetiva permite uma versatilidade superior na produção de cinema e estamos muito interessados em ver quais as próximas adições a esta série.

Conclusão

Enquanto estava no balcão da Sigma, no IBC em Amesterdão, a beber um cocktail cor-de-rosa manhoso (mas, e não digam a ninguém, extremamente saboroso), comentava com um dos representantes da marca “Que ano!”. E a verdade é que ao rever a lista de equipamentos lançados pela marca durante este ano, foi um ano e peras. Ninguém, das produtoras de câmaras, se aproximou sequer da variedade e irreverência que a Sigma apresentou durante 2025.

Se fortaleceu o line-up da Sony (apesar da limitação a 15fps quando se usam as objetivas não Sony nessas câmaras), a grande vencedora com este ano da Sigma foi a Panasonic, que, apesar de não ter lançado vidro profissional para acompanhar os lançamentos da nova linha S1 II, teve uma quantidade de objetivas a poderem ser emparelhadas. E no fim, o sistema com maior variedade de objetivas, e a preços apelativos para qualquer segmento do mercado, tem tendência a fortalecer-se.

A Sigma teve um ano absurdo. Não apenas em quantidade, mas em qualidade. Se não sou o público alvo para algumas das objetivas (especialmente aquela 12mm!!), outras deixaram-me realmente entusiasmado, como aquelas duas Sport e a 135mm f/1.4 Art.

Nunca tive dúvidas, ao rever este ano, que a conclusão ia ser um Hi-Tech de Ouro.

Não sei se 2026 poderá ser um ano tão fenomenal quanto 2025 para a marca, mas espero continuar a sentir aquela excitação sempre que ouvia as palavras “Novo lançamento da Sigma”. Qual a vossa aposta preferida da marca em 2025? E o que gostariam de ver de novo em 2026?

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