Review: Tamron 16-30mm F/2.8 Di III VXD G2

A Tamron lançou este Verão aquela que promete ser a grande objetiva Zoom ultra-grande angular, para sensores Full Frame Sony E ou Nikon Z, para quem tem um orçamento mais curto. Apesar da concorrência ser imensa, neste segmento, a Tamron tem um histórico de lançar objetivas zoom muito acima do que o seu preço possa deixar advinhar.

Desta forma, não foi sem curiosidade que pedi uma unidade de Demo, que usei durante uma semana na minha Nikon Z8. Vamos ver os resultados!

Especificações

ItemEspecificação
MontagemSony E | Nikon Z
Elementos/Grupos16 elementos em 12 grupos
Distância Focal16 a 30 mm
Ângulo de Visão107° 2′ a 71° 35′
AberturaF2.8 – F16
Lâminas do Diafragma9 (formato circular)
Distância Mínima0.19m
Mecanismo de FocoFoco interno
Motor de FocoAutofocus com motor linear VXD
Modos de FocoAF/MF
Ampliação Máxima0.19×
DimensõesØ74.8 x 101.8 mm
Peso440g (Sony E) | 450g (Nikon Z)
Tamanho do Filtro67mm
Outras CaracterísticasTamron Lens Utility

A nova Tamron 16-30mm F/2.8 Di III VXD G2 é a mais recente adição da marca ao line-up de objetivas Full Frame, direcionada ao prosumer que quer uma objetiva clássica (desde a primeira 14-24mm f/2.8, que estas objetivas Zoom grande angulares passaram a estar na mala de uma grande quantidade de fotógrafos), sem partir a conta de banco.

A objetiva na sua versão Sony, tem uma concorrência bastante apertada, no entanto é a opção mais em conta. A recente SAMYANG AF 14-24mm f/2.8 FE, tem um ângulo de visão mais largo, no seu comprimento focal inferior (114,2°), e a Samyang conseguiu manter um tamanho muito compacto. Além disso tem zoom externo, tornando-a menos equilibrada num gimbal. Em termos de design óptico, não é muito diferente da Tamron. É a zoom com ângulo de visão mais largo a melhor preço do mercado, mas a Tamron é uma opção muito forte para quem não precise dos 7º graus extra e queira a maior versatilidade comprimento focal maior.

A Sigma também tem competição, na SIGMA 16-28mm f/2.8 DG DN Contemporary. É uma objetiva muito parecida à Tamron, com um corpo ligeiramente mais volumoso, e com peso semelhante. A Tamron sai por cima ao ter colocado um botão programável na sua objetiva, e no facto de chegar aos 30mm. A Sigma tem possivelmente uma qualidade óptica ligeiramente superior, em especial a sua nitidez nos maiores comprimentos focais. Os preços são semelhantes o que torna esta Sigma na principal concorrência da objetiva em análise.

A Sony também tem uma concorrente na SONY FE 16-35mm F2.8 GM II. No entanto não é propriamente concorrência, é a melhor opção entre as duas, mas a um custo… A custar quase 3x mais é uma objetiva feita para carteiras diferentes. Ainda assim, amplia a versatilidade da objetiva Tamron 16-30mm, chegando aos 35mm, tem uma magnificação máxima de 0,32x, muito superior à Tamron, e leva filtros de rosca de 82mm. Seria comparar o Renault Clio a um BMW M3, ambos fazem a viagem, mas a velocidades e custos muito diferentes.

A um preço muito mais razoável para o prosumer temos a SONY FE 12-24mm f/4 G, com um ângulo máximo de 122º, mas com menos 1 stop de luz, e de profundidade de campo. É uma opção excelente para o fotógrafo de paisagem, que não precisa de aberturas grandes, mas para o videógrafo e fotógrafo de eventos/astrofotografia, a Tamron é a melhor opção (e por quase metade do preço)

Na versão Nikon, existe menos concorrência, e a mesma vem da própria Tamron. A NIKKOR Z 17-28mm f/2.8, que na realidade é essencialmente um rebranding num corpo novo da objetiva da Tamron. Esta é baseada na G1 da Tamron, tendo uma prestação ótica discutivelmente inferior. Além disso o corpo minimalista, sem botões programáveis dá nova vitória à nova Tamron. A Nikon tem ainda um preço superior, sem uma vantagem em peso e tamanho.

Depois a Nikon também tem uma 14-30mm f/4, mas a sua menor abertura coloca-a num mercado diferente, e uma 14-24mm f/2.8 S, mas é uma objetiva, como a Sony 16-35mm, muito mais cara.

Desta forma a Tamron 16-30mm F/2.8 Di III VXD G2 é discutivelmente a melhor opção para fotógrafos Nikon e uma das melhores para fotógrafos Sony.

Corpo

O corpo da Tamron 16-30mm F/2.8 Di III VXD G2 é extremamente simples, com apenas um botão programável, anel de zoom, anel de foco e porta USB-C para o Tamron Lens Utility. O Zoom é parcialmente interno (o barril não se move, mas a óptica frontal entra para dentro do corpo quando é feito o zoom-in.

A objetiva tem um feel minimalista, mas na mão é agradável, com um peso e tamanho adequado e que prevê utilização durante horas sem qualquer cansaço muscular. Como todas as objetivas profissionais da Tamron, esta tem selagem contra intempéries. O tamanho e peso tornam-na uma excelente opção para usar num gimbal.

A objetiva vem com as tampas, e um pára-sol. Tem rosca de 67mm, como uma boa parte das objetivas da Tamron, o que permite a utilização de filtros de rosca, ou sistemas de 100mm.

Autofoco

O motor linear VXD desta Tamron 16-30mm F/2.8 Di III VXD G2 faz um excelente trabalho, adquirindo foco rapidamente e mantendo o mesmo sem dificuldades de maior. O motor é silencioso q.b., o que é uma boa notícia para fotógrafos e videógrafos.

Definição/Nitidez

Em termos de nitidez, a meia e longa distância, a 16mm a objetiva é bastante nítida, mesmo a f/2.8. A 30mm, com a abertura máxima, a objetiva não é super nítida, mas é aceitável. Tenham em conta que as fotos foram tiradas a 44MP, pelo que o pixel peeping é mais severo, com uma Z6 III ou Z5 II é provável que não se note a quebra na nitidez.

Onde a nitidez se porta menos bem é em close up. A 16mm, a f2.8 é razoável, com um ar dreamy, e a f4 a nitidez é boa, permitindo algumas close-ups interessantes.

A 30mm a nitidez só fica boa a f/5.6, parecendo as restantes resultado duma telenovela mexicana dos anos 80, super dreamy e suave. O que pode parecer um defeito, para alguns será um feitio, e pode ser usado de forma artística. Para os ultra-realistas (onde me enquadro) é certamente um defeito.

Para uma ideia do quão dreamy e pouco nítida é a imagem a 30mm a f/2.8, vejam a imagem abaixo, que é um crop a 100%. Inicialmente pensava que estava a falhar o foco, mas todos os alvos que tentei, ficavam assim. Depois percebi que o foco estava bem, e o autofoco da objetiva acompanhou sempre, e que era uma característica da ótica.

Aberrações cromáticas

Em nenhuma situação consegui encontrar aberração cromática em níveis que fossem facilmente visíveis.

Numa crop a 200% dum ângulo com contraluz forte e alto contraste é possível ver alguns contornos purpuras. No entanto, são super fáceis de corrigir na edição, e na realidade nem perderia tempo a fazê-lo a menos que estivesse a considerar imprimir em grandes formatos.

Distorção e vinheta

Os níveis de distorção não estão fora do habitual em objetivas do género. Será fácil corrigi-la na edição sem perda de muito ângulo de visão. E se não for corrigida também não é um detrimento.

Em termos de vinheta, a mesma é razoavelmente forte a 16mm, com a abertura de f/2.8, mas fechando a abertura a mesma deixa de ser tão prevalente. A 30mm, mesmo a f/2.8 a vinheta é fraca, apesar dos cantos serem razoavelmente pouco nítidos.

Bokeh

A qualidade de bokeh é sempre subjetiva, e no caso de uma objetiva grande angular, mesmo com abertura f2.8, é quase inexistente na maioria das situações. De qualquer forma, como gosto bastante do aspeto de close-ups ambientais que se consegue com uma objetiva deste tipo, quis testar o quão agradável é o desenfoque da Tamron 16-30mm F/2.8 Di III VXD G2.

A 16mm as transições são suaves, o background razoavelmente cremoso. As highlights fortes criam um bokeh quase circular com algum efeito de bola de sabão, mas em geral é suave qb.

A 30mm as trasições são um pouco mais abruptas, suavizadas apenas pela falta de nitidez geral neste comprimento focal com esta abertura. Os backgrounds ficam bastante homogeneizados, criando um efeito bonito. Os highlights fortes também adquirem algum efeito de bola de sabão, mas causam pouca distração.

Distância mínima de focagem

A distância mínima de focagem não é a melhor da sua classe, mas não também não é a pior, como temos visto ao longo desta review. Especialmente a 16mm, em que a nitidez é aceitável com a abertura máxima, penso ser esta uma objetiva interessante para as close-ups ambientais.

Flares

Em geral a Tamron 16-30mm F/2.8 Di III VXD G2 porta-se bem com o sol diretamente na frame, ou perto da mesma. Mantem níveis elevados de contraste, e os ghostings são quase inexistentes e pequenos, uma excelente prestação desta objetiva.

Torturando bem a objetiva, à procura de flares mais dramáticos, estes acabam por aparecer. Mas repito, é uma situação extrema e tive de me esforçar para obter um efeito tão dramático, tanto a 16mm como a 30mm, o que é uma excelente notícia.

Veredicto

Pontos Positivos

  • Qualidade/Preço
  • Autofoco de qualidade
  • Boa nitidez a meia e longa distância, mesmo a f/2.8
  • Boa resistência a flare
  • Aberrações cromáticas muito controladas
  • Tamanho e peso
  • Focus breathing muito baixo

Pontos Negativos

  • Má nitidez em close-up a f/2.8, em especial a 30mm
  • Vinheta forte a 16mm
  • Concorrência forte na versão Sony E

A objetiva é, em geral, uma óptima opção para o fotógrafo profissional e prosumer que queira qualidade sem partir o banco. Se a nossa opinião é unanime para Nikon Z, para Sony E a concorrência é forte e divide as nossas opiniões. De qualquer forma, o fotógrafo Sony que opte por esta, ficará bem servido e não terá arrependimentos.

Não a posso recomendar para fotógrafos que, como eu, gostem acima de tudo de usar uma grande angular para as close-ups ambientais, pelas razões acima descritas, mas de resto a objetiva portou-se muito bem. Quer queiram completar a vossa trilogia f/2.8 Tamron, quer queiram uma objetiva que não vos deixe ficar entalados com estas características, a Tamron 16-30mm F/2.8 Di III VXD G2 é uma ótima opção.

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