OM System M.Zuiko 100-400mm f/5.0-6.3 IS II
Artigo by João Doroana
Antes de mais, deixem-me dizer que esta lente é minha, não a utilizei apenas alguns dias para escrever esta review, pelo que tenho uma galeria considerável de fotos tiradas com ela.
Sou utilizador da OM-1 II e, quando esta lente foi anunciada, andava à procura duma teleobjectiva. Na verdade, a minha ideia inicial seria comprar a fantástica 150-400mm F4.5. Desde que a testei num workshop de fotografia de aves fiquei completamente apaixonado, é uma lente formidável, não há dúvida nenhuma disso, mas custa quase 7000€.
Quando a primeira 100-400mm II chegou à loja decidi fazer alguns testes, mais para escrever esta review do que propriamente pela curiosidade na sua performance, francamente não achei que me fosse satisfazer. A verdade é que a objectiva me surpreendeu (e muito) pela positiva. Atenção, a 100-400mm e a 150-400mm estão em patamares completamente diferentes, que não existam dúvidas nisso, infelizmente, para o comum dos mortais (onde eu me incluo), gastar 7000€ num hobbie foge um pouco às regras de bom senso orçamental.

Conteúdos
Novidades desta 2ª geração
- Sincronização do estabilizador da lente com o IBIS das câmaras mais recentes da OM.
- Novo coating do elemento frontal, mais fácil de limpar e repelente de água.
- Compatível com teleconversores 1.4x e 2x.
- Novo colar, mais fácil de remover.
Para uma lista completa de especificações, visitar o site da OM System.
Alternativas
Por este valor temos, para full frame, as Sigmas 150-600mm (2100g) ou as Tamron 150-500mm (1710g). Infelizmente já não se fabricam teleobjectivas nativas para APS-C, a única que me recordo deve ser a 150-600mm da Fuji, já noutro patamar de valores mas com um peso mais simpátivo (1600g). Para micro 4/3 existem várias opções e para todas as carteiras:
- OM SYSTEM M.Zuiko Digital ED 75-300mm/4.8-6.7 II – Para quem está a começar e tem um orçamento limitado, é uma opção. Para fotografia de aves os 300mm são um pouco curtos. Bastante leve e portátil. Ver aqui.
- PANASONIC Leica DG Vario-Elmar 100-400mm f/4-6.3 – Mais pequena, mais leve e mais luminosa. Em corpos OM a estabilização não vai sincronizar e o AF tende a não ser tão rápido. Há relatos que afirmam que a qualidade de imagem é mais errática entre exemplares, sendo a OM 100-400mm II mais consistente. Ver aqui.
- OM SYSTEM M.Zuiko Digital ED 150-600mm F5.0-6.3 IS – Uma lente fantástica, mas que, para mim, faz com que se perca todo o propósito do micro 4/3. É essencialmente uma lente Sigma feita para full frame, adaptada à OM, extremamente volumosa e pesada. Ver aqui.
- OM SYSTEM M.Zuiko Digital ED 300mm f/4 IS PRO – Uma excelente alternativa, sobretudo usada juntamente com o teleconversor 1.4X. Tem mais qualidade que a 100-400mm, mais luminosa, peso razoável, menor versatilidade e um preço menos apelativo (claro). Ver aqui.
- OM SYSTEM M.Zuiko ED 150–400mm F4.5 TC1.25x PRO – O que há a dizer desta menina? Simplesmente fantástica…O único inconveniente é mesmo o preço. Ver aqui.
Qualidade de Imagem
A qualidade de imagem, para uma objectiva zoom nesta gama de preços, é bastante boa e rivaliza com a que as Sigmas e Tamrons entregam em full frame. Destaco, no entanto, a qualidade dos jpegs em relação aos raws, a OM-1 II é uma câmara fantástica neste aspecto. Deixo aqui alguns exemplos onde é possível ver o detalhe que a câmara consegue melhorar.
Acho que mais de 90% dos entusiastas de fotografia de natureza odeiam editar, eu pelo menos odeio, já passo demasiado tempo no computador enquanto trabalho. A edição que a câmara faz nem sempre é perfeita, mas na maior parte dos casos é mais do que suficiente para ter um bom resultado. Costumo ficar com os raws das fotos, mas a verdade é que acabo sempre por nunca lhes tocar, salvo raríssimas excepções.


Apesar do sensor Micro 4/3 ser, como todos sabemos, mais susceptível a ruído, a estabilização da OM é uma das melhores do mercado (provavelmente, a melhor) o que permite usar tempos de exposição mais longos. O facto desta 100-400mm II já sincronizar o estabilizador interno com o IBIS da câmara é, de longe, a introdução mais importante desta 2ª geração. É possível, mesmo nos 400mm, utilizar velocidades de obturador bastante baixas e não ter uma imagem tremida.
Auto Focus
O Auto focus, na OM-1 II, é bastante rápido e, por norma, a detecção inteligente de objectos funciona muito bem, pelo menos a das aves, que é a que utilizo mais regularmente. Só em situações mais difíceis, de baixo contraste ou de pequenas aves no meio de arbustos, é que senti alguma frustração, mas isso infelizmente é inevitável.
Versatilidade
A grande arma desta objectiva é mesmo esta, a sua versatilidade. A 300mm F4 é uma alternativa com mais qualidade quando aquilo que se pretende é exclusivamente fotografar aves, sobretudo com o teleconversor de 1.4x. As zoom, ainda que tenham menos qualidade, são sempre mais práticas e fáceis de utilizar, e a 100-400mm dava-me a possibilidade de fotografar aves, alguns insectos (libelinhas, borboletas, etc), anfíbios, répteis e mesmo flores.

Com uma distância mínima de focagem de 1.3m e uma magnificação equivalente a 0,57x em full frame, a OM 100-400mm II permite algumas brincadeiras interessantes. Sim, eu sei… não é uma verdadeira macro porque não faz 1:1, tudo bem, mas é uma magnificação interessante para este tipo de objectivas. Relembro que os seus competidores directos não vão além das 0.34x (Sigma 150-600mm). Eu estou bastante satisfeito com os resultados, sobretudo porque na grande maioria dos passeios que faço, consigo levar apenas esta objectiva e ainda assim ter uma boa variedade de fotos.


Conclusões
Para quem privilegia um sistema portátil e compacto, mas que não comprometa a qualidade das fotos, penso que a OM 100-400mm II, e o ecossistema micro 4/3 em geral, continuam a ter soluções muito interessantes.
É verdade que nos últimos anos as câmaras full frame têm diminuído de tamanho, mas as objectivas nem tanto. Relembramos, por exemplo, que no sistema Canon RF, temos a 200-800mm f/6.3-9 IS USM a pesar mais de 2Kgs e com mais de 30cm de comprimento, isto apesar duma abertura máxima de F9. Parte da vantagem do sensor full frame acaba por se perder na abertura da objectiva.

A Sony 400-800mm f/6.3-8 G OSS pesa 2.5Kgs e mede quase 35cm. Sabendo que o IBIS da OM é superior ao dos sensores full frame e assumindo que o utilizador introduzirá mais vibração quanto maior e mais pesado for o sistema que segura, haverá realmente uma vantagem tão significativa na utilização dos sensores maiores neste tipo de fotografia? Sem dúvida que, nas circunstâncias certas, sim. Se vale a pena o investimento mais dispendioso na compra de equipamentos full frame e as dificuldades de manuseio e transporte dos mesmos, isso já fica ao critério de cada um.
Onde comprar a OM System M.Zuiko 100-400mm f/5.0-6.3 IS II – Ver Loja
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