Review: Viltrox 50mm f/2 Air

A mais recente objetiva da série Air da Viltrox, promete ser “Não apenas Nifty, mas Ultimate Fifty”, em referência à expressão Nifty Fifty, expressão esta que acompanha as objetivas de 50mm com abertura rápida, tamanho compacto e preço acessível. As Nifty Fifty, são talvez a constante das objetivas Prime, presentes na mala de amadores e profissionais, e, ainda hoje, um dos mais populares tipos de objetiva para fotógrafos. Consegue esta Viltrox ser a “Ultimate Fifty” que os textos promocionais da marca referem?

É isso que vamos ver a seguir, e eu tenho convivido quase diariamente com esta objetiva, desde que chegou à nossa loja, uns dias antes do seu lançamento. Coloquei-a na minha Z8, e raramente a tirei, portanto tenho muitas conclusões, e como narcisista que talvez seja, vou partilhá-las convosco.

Especificações

ItemEspecificação
MontagemSony E | Nikon Z
Elementos/Grupos13 elementos em 9 grupos
Distância Focal50mm
Ângulo de Visão47.4°
AberturaF2.0 – F16
Lâminas do Diafragma9 (formato circular)
Distância Mínima0.51m
Mecanismo de FocoFoco interno
Motor de FocoSTM + Parafuso
Modos de FocoAF/MF
Ampliação Máxima0.11×
DimensõesØ65×56.5mm (Sony E) | Nikon Z (Ø68×58.6mm)
Peso≈205g (Sony E) | 220g Nikon Z
Tamanho do Filtro58mm
Outras CaracterísticasUSB para atualizações de firmware, revestimento anti-água frontal

A nova objetiva da série Air é uma objetiva para câmaras Full Frame, com as montagens habituais da marca: Sony E e Nikon Z

Como é que esta se compara com as objetivas concorrentes, no que diz respeito a especificações?

Começando pela Sony, esta tem na Sony FE 50mm F/1.8 uma opção barata. Se o que pretendemos é a objetiva mais leve, então a da Sony leva a coroa, com apenas 186g apesar de ligeiramente maior (68,6 x 59,5 mm). Esta diferença de peso, é reflexo de uma quantidade muito inferior de vidro (6 elementos, versus os 13 da Viltrox). Na frente leva filtros de 49mm, novamente mais pequenos (e baratos) que os 58mm da Viltrox. Tem outra vantagem, numa distância mínima de focagem de 45cm, contra os 51cm da Viltrox. Além disso dá-nos mais 1/3 de stop de luz a f/1.8.

Tendo em conta o preço semelhante, seria a escolha óbvia correcto? Nem por isso, o aumento de elementos na 50mm f/2 Air, não serve apenas para criar peso, serve também para uma qualidade óptica muito superior, como veremos mais ao longo desta resenha.

Virando-nos para a Nikon, esta oferece-nos uma Nikkor Z 50mm f/1.8 S, que é um monstro completamente diferente. Apesar de fifty, é pouco nifty, custando pouco menos que o triplo da Air da Viltrox. É também bem mais pesada (415g) e maior (76 x 86.5 mm), no entanto é opticamente uma objetiva praticamente perfeita, e com um autofocus super-rápido e preciso.

Ainda na Nikon, temos também a mais recente Nikkor Z 50mm f/1.4. Com um stop de luz a mais, é uma alternativa interessante. No entanto, preço e dimensão/peso é bastante semelhante à irmã f/1.8 S, o que as coloca numa gama diferente. Ainda assim, em termos ópticos é relativamente semelhante à Viltrox 50mm f/2 Air, o que pode surpreender pela diferença de preço.

Podemos considerar que a Viltrox com esta objetiva cria uma objetiva para o sistema montagem Z sem concorrência real, pelo preço, tamanho e relação qualidade/preço

Podemos ainda dar uma vista de olhos no passado e olharmos para a Viltrox 50mm f/1.8. No entanto, tirando a abertura 1/3 stop mais lento, a versão Air é superior à f/1.8 em tudo, até no preço. Mantem-se a f/1.8 para quem necessita realmente da abertura maior, mas já tendo sido descontinuada, se for o vosso caso, corram a comprá-la porque vai esgotar num instante.

Corpo

A objetiva é absolutamente minimalista, sem qualquer botão de controlo. Na objetiva apenas se encontra um anel de foco, que é suave, mas com pressão suficiente, e com uma textura eficiente, tornando efetivamente agradável de usar para focar manualmente a objetiva. Não existe nenhum interruptor, pelo que mudar de autofoco para foco manual, e vice-versa, só através das definições da câmara.

O corpo é em plástico mas não transmite uma sensação de “barato”. A baioneta é em metal, algo que para o preço é amplamente apreciado. Não tem qualquer tipo de proteção contra intempéries, o que não é um problema na maior parte das vezes, numa objetiva sem partes móveis externas, mas convém ter algum cuidado quando estamos em tempo húmido ou com poeiras. Na montagem, tem uma entrada USB-C, para as atualizações de firmware.

A objetiva vem com tampa traseira, tampa frontal, e pára-sol, todos estes de plástico de qualidade inferior ao corpo, mas aceitável, tendo em conta o preço do equipamento.

Autofoco

O autofoco desta objetiva é deixado a cargo de um motor STM. Quando comecei os testes, o Auto-Foco era extremamente lento, ao ponto de não conseguir acompanhar o meu filho no parque (o meu filho tem 15 meses, não é o Usain Bolt), o que a tornava uma objetiva interessante, mas apenas para temas estáticos. No entanto a Viltrox lançou, há 2 semanas, uma atualização de firmware dedicada a este assunto.

O Auto-foco é agora rápido e preciso. Não é exatamente super silencioso, mas não faz mais ruido que uma Nikon Z 50mm f/1.4, por exemplo. Se, ao comprarem a objetiva, a vossa unidade tenha um auto-foco muito lento, vão atualizar o firmware imediatamente. (Podem fazê-lo gratuitamente através do site oficial da Viltrox)

Definição/Nitidez

Se o que procuram é uma objetiva nítida na abertura máxima, não procurem mais. Para uma objetiva abaixo dos 200 euros é até estupidamente nítida. Não se nota uma diferença relevante a aberturas menores, o que é uma excelente notícia. Mesmo nos cantos é extremamente aceitável.

(Notem, todas as fotos que colocarei aqui são JPEG’s criados a partir do ficheiro RAW, sem qualquer edição nem correção, excepto a galeria de imagens.)

Aberrações cromáticas

Mais uma vez, a Viltrox está de parabéns. Como é que uma objetiva tão barata pode ter um controlo de aberrações tão grande? É um mistério, mas para o consumidor é extremamente positivo.

Mesmo numa situação de contraluz extrema, e com uma crop considerável, as aberrações são praticamente desprezáveis. O sol estava ligeiramente acima da frame, mesmo numa condição muito difícil a objetiva mantem uma qualidade notável.

É possível ver alguma aberração nalgumas situações, mas nada que distraia, ou que não seja facilmente corrigível durante a edição.

Distorção

O ano passado andei uns meses com a Viltrox 35mm f/1.8, e, Senhor, como a objetiva tinha distorção! Nunca tinha visto uma Prime de 35mm a distorcer tanto como aquela, e isso deixou-me um pouco apreensivo ao experimentar esta série Air, que sendo a série budget prometia defeitos ópticos com fartura. A verdade é que toda e qualquer distorção nesta objetiva é negligenciável!

Tirando uma fotografia, diretamente de RAW para JPEG, sem qualquer correção (o DXO Photolab ainda nem tem o perfil desta objetiva), obtive resultados assim:

Distorção? Mais tipo distor…não!! Eh!Eh! O quê?? Ok, ok. Next!

Bokeh

Todos sabemos que o bokeh é algo bastante subjetivo. No entanto penso que podemos dizer que na generalidade quanto mais creamy e sem distrações, melhor. Como é que se porta esta objetiva em termos de bokeh?

Não sendo um bokeh super cremoso, parece-me bastante razoável para o preço da objetiva. Os highlights são um bocado intensos, mas eu também puxei por eles. As transições de foco para desenfoque são suaves q.b. E não se notam problemas de onion rings, na minha opinião um dos efeitos mais distrativos quando presente no bokeh.

Diminuindo a abertura, o bokeh começa a ter contornos mais definidos e menos circulares.

Distância mínima de focagem

Eu admito, não sou o maior fã de Primes deste tipo, viradas para street photography, retratos e fotojornalismo, sou um gajo de macro. E portanto, quando pego numa objetiva destas o que quero é fazer umas close-ups catitas, que enquadrem bem um background porreiro.

No entanto, como calcanhar de Aquiles desta objetiva, com uma magnificação máxima de 0,11x, esta objetiva não está versada para tal.

Eu sei, eu sei, podia ter escolhido um melhor primeiro plano, mas já estava bastante frustrado de tentar fazer close-ups com a objetiva e falhar o foco com frequência (pré-atualização de firmware), ou simplesmente não ficar nada enquadrado pela distância a que tinha de estar do sujeito. Portanto desisti, meti umas ervas à frente, no background a possibilidade de se reconhecer a feira do chocolate em Óbidos e ala que se faz tarde.

Não comprem esta objetiva se querem fazer close-ups, é a conclusão!

Flares e Sunstars

Em termos de Sunstars, estas não são o forte da objetiva. Sunstar é o fenómeno em que pontos fortes de luz na imagem criam um efeito de “raios de luz”, devido às lâminas do diafragma, que se acentua à medida que fechamos o diafragma, e é por vezes um efeito muito desejado. Para ser bonito tem de ser bem definido e neste caso não é fantástico.

A f/8 as sunstars são virtualmente inexistentes, a f/11 começam a ficar definidas, mas é apenas a f/16 que se tornam apelativas, no entanto com níveis de refração brutais, habituais da aberturas muito pequenas.

Em termos de ghosting (fenómeno causado pelo reflexo da luz entre as óticas da objetiva, e que cria artefactos luminosos na imagem), a objetiva é bastante bem controlada. Pode-se ver ghosting em situações extremas, mas na grande maioria das vezes não é observável.

Nos exemplos acima, vemos algum ghosting, mas é necessário ter em conta que o sol está dentro da frame, o que significa que iria produzir ghosting em basicamente qualquer objetiva, e neste caso, o mesmo é bastante residual.

Em termo de flare, o efeito tipo lençol branco que aparece nas imagens quando o sol está perto ou dentro da frame, que causa diminuição de nitidez e contraste, aí a objetiva porta-se um pouco menos bem. O efeito de flare é razoavelmente intenso. Isto significa que fotografias em contraluz ficarão sempre um pouco afetadas. Pode ser usado de forma criativa pelos fotógrafos, para criar um efeito dreamy, mas para pessoal obcecado pela nitidez (como eu!), isto é um ponto negativo. A vós vos deixo a liberdade de escolha.

Veredicto

Pontos Positivos

  • Qualidade/Preço
  • Nitidez elevada mesmo a f/2
  • Autofoco rápido e quase silencioso
  • Controlo de aberrações cromáticas
  • Distorção quase zero
  • Ghostings muito bem controlados

Pontos Negativos

  • Distância mínima de focagem
  • Em contraluz tem dificuldades com flare
  • Highlights no background criam um bokeh um pouco intenso

Esta pequena e leve objetiva tem muito a seu favor. Na nossa opinião, é a melhor opção no mercado para quem quer uma nifty-fifty com tudo o que tem direito: peso e dimensões reduzidas, preço amigável, qualidade de imagem nada comprometedora.

Isto significa que, para Sony, é sem dúvida muito superior à 50mm f/1.8 da casa, que já demonstra a sua idade avançada.

Para Nikon, é a melhor opção para quem procura algo barato, já em qualidade, fica alguns pontos abaixo da nativa da série S, que é, de qualquer forma, uma das melhores 50mm f/1.8 do mercado. A Nikon Z 50mm f/1.4 continua a ser uma excelente opção para quem precise de maior abertura máxima, mas a Viltrox 50mm f/2 Air é basicamente equiparável em termos óticos.

Para quem recomendamos estas objetiva? É uma objetiva direcionada para o fotógrafo amador, mas com qualidade suficiente para ser usada por profissionais.

Tudo isto por apenas 199€, na vossa loja do costume: Viltrox AF 50mm f/2 Air

Usos recomendados:

  • Retratos
  • Fotografia de rua
  • Foto-reportagem

Galeria de Imagens

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