Comparativo – Fotografia de Paisagem – 5 Combos lado a lado

Comparativo – Fotografia de Paisagem

O momento de escolher o equipamento certo é sempre um momento excitante e, ao mesmo tempo, assustador. Com a quantidade de oferta no mercado, é praticamente impossível ter a certeza se os produtos que temos no nosso carrinho de compras são realmente a melhor resposta às nossas necessidades.

Neste sentido decidimos arranjar algumas respostas, e começámos com uma comparação de equipamento para fotografia de paisagem. Pedimos algumas câmaras e objetivas às diferentes marcas, falámos com o fotógrafo Pedro Grão e fomos até à Peninha na Serra de Sintra. Nem sempre o dia ajuda (e neste caso não ajudou, céu limpo acima, e nublado no horizonte), mas permite ver os resultados possíveis com diferentes setups para diferentes orçamentos.

Tenham em conta que, apesar de ser um comparativo, este artigo funciona para mostrar que existem boas opções para quaisquer orçamentos, e todos os setups testados são efetivamente recomendados por nós, consoante o que desejam e o sistema que vos interesse mais.

Parâmetros

Todos os testes tiveram por base algumas características em comum. Em primeiro lugar foram todos tirados com os mesmos comprimentos focais (equivalente a 16mm em Full Frame) e aberturas (f/11).

Todas as fotografias foram tiradas com as câmaras montadas em tripé Sirui e as fotografias do pôr-do-sol foram tiradas com recurso a filtros NiSi Optics (usámos o porta-filtros V7 de 100mm, o filtro ND Graduado (GND) de transição média com 3 stops e filtro ND16 – 4 stops). Estes filtros foram escolhidos por garantirem a maior qualidade e fidelidade de cores, sendo o sistema de 100mm um dos mais populares da marca entre os fotógrafos de paisagem (podem conhecer melhor este sistema aqui: https://nisioptics.pt/categoria/sistema-100mm-2/).

Além disto, todas as fotografias apresentadas durante o comparativo serão estarão legendadas e teremos 3 tipos de fotografia:

  • JPEG criado pela câmara;
  • JPEG criado a partir do RAW sem qualquer tipo de correcção (excepto alguma limpeza de algum ponto de sujidade no sensor ou objetiva), no software DXO Photolab;
  • JPEG com correcções automáticas criadas pelo perfil de lente do software DXO Photolab.

Testes

O primeiro teste foi feito na floresta, permitindo ver questões como nitidez, distorção, aberrações cromáticas e “dynamic range” . As condições de fotografia dentro de floresta tendem a ser sempre difíceis, visto a luz não ser homogénea, podendo queimar highlights ou deixar a imagem demasiado escura, além disso existe imensa coisa a renderizar, desde ervas, ramos, texturas de troncos, folhas, rochas, etc. Isto torna o local um sítio perfeito para testes deste género.

O segundo teste foi efetuado junto ao Santuário da Peninha e o objetivo deste foi capturar o pôr-do-sol com recurso a longa exposição. Com isto, podemos ver a capacidade de definição do combo câmara + objetiva, assim como a resolução de cores e distorção inerente das objetivas. Acima de tudo, o grande objetivo foi capturar fotografias alusivas da capacidade de cada um destes kits para a fotografia de paisagem.

Combos

Comparativo 1: Canon R50 + Canon RF-S 10-18mm f/4.5-6.3 IS STM

O primeiro setup a testarmos nestas condições foi a pequena Canon R50 + Canon RF-S 10-18mm f/4.5-6.3 IS STM. Este setup é de longe o mais barato de todos os que testámos. A pesar pouco mais de 500g é um setup fácil de aconselhar a todos os que queiram iniciar-se no mundo da fotografia sem quebrar a conta de banco, nem as costas a carregar equipamento. Isto tudo sem colocar em check a qualidade do produto final, produzindo ficheiros de elevada qualidade.

Esta pequena Canon tem um sensor APS-C de 24,2 MP, que mantem um dynamic range bastante impressionante. A objetiva, que é absurdamente pequena também, tem uma distorção bem controlada (e após uma simples correção na edição, praticamente inexistente) e emparelha perfeitamente com a R50. No fim, este setup impressiona pela qualidade/preço, absolutamente imbatível. A Canon criou com esta câmara e objetiva uma opção low-cost de gabarito, como podem ver pelas fotografias deste teste.

A recuperação de detalhes e cor das sombras é elevada, a presença de alguma aberração cromática é bastante corrigível (de forma que nos JPEG’s criados pela câmara nem se nota a sua existência). De novo, um excelente combo de entrada de gama.

Só nos demos conta que estas fotografias, deste último teste, tinham sido tiradas a uma distância focal mais longa quando chegámos a casa e as metemos no PC.

Comparativo 2: Nikon Z6 II + Viltrox AF 16mm f/1.8 Z

De seguida testámos a Nikon Z6 II com a objetiva Viltrox AF 16mm f/1.8 Z. Esta câmara já tem uns bons anos, tendo sido lançada em 2020, no entanto, para fotografia de paisagem continua perfeitamente competente, e com as promoções consegue-se comprar uma unidade a um preço muito apelativo, para uma câmara entusiasta/semi-pro com sensor Full Frame. Os 24,5MP permitem ficheiros de elevada qualidade, essenciais neste tipo de fotografia. Tem um dynamic range invejável e isso permite ficheiros altamente flexíveis, como podemos ver no comparativo. Em termos de reprodução de cores é também uma câmara excelente, com os tons da Nikon.

A Viltrox AF 16mm f/1.8 Z é uma objetiva prime (comprimento focal fixo), a única deste comparativo. A sua enorme popularidade fez com que quiséssemos emparelhá-la com a Z6 II. E os resultados são excelentes. Apesar de notarmos alguma distorção nos ângulos da imagem, a nitidez é impressionante, e podemos dizer-nos altamente agradados com os resultados. Para um kit, que, em promoção, em pouco ultrapassa os 2000 euros, ficámos bastante agradados. Foi o kit Full Frame mais barato do comparativo e com resultados claramente positivos.

Na floresta, os JPEG’s sem correção têm cores vibrantes e não se vê aparentemente qualquer tipo de aberração cromática. O JPEG criado pela câmara tem cores mais reais, e um pouco mais contraste.

No segundo teste, a manutenção de cores e detalhes nas sombras atesta a qualidade de Dynamic Range deste sensor.

Comparativo 3: OM System OM-1 Mark II + OM System M.Zuiko Digital ED 8-25mm f/4 PRO

A seguir colocámos a teste a OM-1 Mark II com a OM System M.Zuiko Digital ED 8-25mm f/4 PRO. Este foi o único kit com sensor Micro 4/3 no comparativo e estávamos expectantes para ver o que este pequeno sensor conseguiria fazer. Habitualmente desconsideramos este sistema para fotografia de paisagem, porque em geral quanto mais pequeno o sensor menor o dynamic range, e maior o ruído.

No entanto, sabendo que a OM-1 Mark II é das câmaras com maior computação do mercado, e muita desta virada para suprir esta limitação do sistema, tínhamos de a meter no comparativo. A OM-1 Mark II tem, para além de ND e GND’s digitais, um modo de High-Res, que permite a captura de várias imagens, juntando-as num enorme RAW de 14 bits, com 80MP. Este era o modo que mais nos interessava para este comparativo.

Os ficheiros são brutais! Com os 80MP, um JPEG pode chegar aos 110MB, e os RAW têm uma flexibilidade incrível. Apesar de efetivamente não serem tão ricos como se tirados por uma câmara com sensor Full Frame de 80MP (provavelmente) estes ficheiros são bastante limpos e cheios de detalhe.

A objetiva fez um trabalho excelente e na floresta, olhando para o JPEG sem correções temos uma quantidade muito limitada de aberrações cromáticas, e a distorção é desprezável. Aplicando o módulo de correcções do DXO, a imagem fica limpa de aberrações e qualquer distorção existente inicialmente é corrigida.

No pôr-do sol, a capacidade de reter informação nas sombras é admirável, e mesmo puxando as sombras, a imagem mantém-se limpa de grão. O modo High Res da OM System marca pontos e é uma mais valia para este sistema, que o coloca em campo de batalha com câmaras de sensores bem maiores sem desvantagem aparente.

Comparativo 4: Sony a7R IV + Sigma 16-28mm f/2.8 DG DN Contemporary – Sony E

De seguida, o combo com a câmara com maior resolução nativa do comparativo. A Sony a7R IV tem 61MP, o que é um teste não apenas para este comparativo, mas também para a capacidade de definição da objetiva Sigma, da linha “budget” Contemporary. A Sigma tem uma variedade brutal de objetivas para a montagem Sony E, desde as linhas mais amadoras e entusiastas, a objetivas profissionais de alta qualidade e inovação, e quisémos pôr a teste um dos seus bestsellers na categoria de grande angulares.

A Sony a7R IV, substituida pela versão V em 2022, com quem partilha sensor, é uma das câmaras com maior Dynamic Range de sempre e será bom de ver isso em ação. Apesar de em muitas características já estar desatualizada, o sensor continua tão poderoso como sempre.

A câmara demonstra, ao longo do teste uma qualidade absurda de resolução e definição. O “the real deal”, e mesmo fazendo “pixel peeping” é difícil encontrar qualquer diminuição de qualidade nos ficheiros. As cores são super vibrantes, e a manutenção de detalhes nas sombras é impressionante. A Sigma porta-se extremamente bem também.

No teste da floresta podemos ver alguma aberração cromática, mas muito subtil, mesmo em situações de contraste extremo. A fotografia ficou um pouco sobre-exposta por causa da alteração da luz durante a sua captura, mas mesmo assim, a aberração cromática é facilmente controlável. A distroção é visível no JPEG sem correções, mas é facilmente corrigida durante o processo de edição.

Junto ao Santuário, a nitidez da imagem, a quantidade de detalhes nas sombras, e a força das cores impressiona. Este combo faz juz à popularidade, tanto do sensor Sony de 61MP, como da Sigma como uma marca que há muito deixou de ser secundária e passou a se um player a sério, com o qual as grandes marcas têm de contar.

Comparativo 5: Canon R5 Mark II + Canon 16-28mm F2.8 IS STM

Este marca o último combo do nosso comparativo, e o único com uma câmara com sensor stacked, além de ser também o mais caro. A Canon R5 Mark II é considerada, por todos, uma das melhores câmaras híbridas da atualidade. Carregada de funcionalidades, esta câmara é uma besta na fotografia de ação, e no vídeo está no topo da curva. Considerando que tem um sensor stacked, este terá uma velocidade muito superior, mas isso pode causar uma diminuição no Dynamic Range. Portanto será que tem argumentos para ser considerada uma excelente câmara para fotografia de paisagem? Eu podia dar-vos 45 argumentos, mas vou deixar as imagens falar por elas.

Para este comparativo decidimos levar a recém anunciada Canon 16-28mm F2.8 IS STM em detrimento de outras opções mais óbvias. Achámos interessante aproveitar para verificar a qualidade desta objetiva, que em papel oferece tanto, mas será que tem defeitos óbvios que a torne menos apelativa? Neste caso queremos ver se consegue acompanhar a resolução da R5 Mark II, e se tem compromissos demasiado grandes para ser considerada uma opção.

A primeira coisa que verificámos, foi a existência de uma vinheta muito marcada em vários RAW’s. Foi-nos explicado pela Canon que isso acontece devido a estarmos a abrir o ficheiro RAW num programa que não é da marca (e que ainda não tem módulos para esta objetiva, infelizmente).

Por esta razão deixo 3 fotografias por teste neste comparativo: o JPEG tirado do RAW sem correções, para verem a vinheta, o JPEG criado pela câmara e o JPEG tirado do RAW, cortando a vinheta. Os JPEG’s têm aparentemente um ângulo de visão semelhante entre os diferentes combos e assim fica uma comparação mais completa, enquanto não existam módulos desta objetiva nos softwares de edição de RAW mais comuns.

Na floresta tirámos uma conclusão imediata e simples: a objetiva em nada limita a R5 Mark II. Apesar do preço relativamente budget, não se nota qualquer quebra na definição, resultando uma imagem absurdamente nítida, isto mesmo sem estar a abrir o ficheiro no programa da Canon (o da marca é o DPP). Todo o ramo e raminho é perfeitamente visível, fazendo deste combo, não apenas o mais caro do comparativo mas também o mais nítido. A distorção é também pouco acentuada, não resultando na quebra de nitidez na margem da fotografia.

No santuário, podemos ver se o facto do sensor ser stacked tem efetivamente um impacto negativo no dynamic range da câmara. O que verificamos é que os highlights são todos recuperáveis, assim como as sombras. Talvez um ligeiro decréscimo na quantidade de informação guardada em relação à a7R IV, mas apenas visível em “pixel peeping”. O que é um resultado muito bom, e coloca a R5 Mark II como uma fantástica candidata a ser a próxima câmara de qualquer fotógrafo de paisagem dedicado.

Conclusão

Este comparativo serve, como disse anteriormente, para apresentar algumas alternativas para fotógrafos de paisagem, estejam a começar no mundo da fotografia ou já sendo profissionais com anos de experiência.

Qualquer um destes combos é excelente, cada um no seu mercado.

  • A Canon R50 é uma câmara extremamente interessante, e uma das melhores câmaras de entrada no mundo da fotografia e vídeo da atualidade (não a posso recomendar a quem tenha mãos grandes, a câmara é absolutamente mínima). Excelente kit para iniciantes ou profissionais que queiram uma kit competente para viagens que ocupe pouco espaço e seja extremamente leve.
  • A Nikon Z6 II já tem uns anos, mas isso permite que seja comprada a um preço imbatível, com uma qualidade fantástica. E a Viltrox AF 16mm f/1.8 é uma objetiva com qualidade/preço excepcional, um kit para paisagem facilmente recomendável a quem quer equipamento semi-profissional a preços excelentes.
  • A OM System OM-1 II, mostra que o sistema Micro 4/3 está vivo e recomenda-se, compensando a dimensão do sensor pela qualidade do mesmo e computação brilhante, que mantém esta como uma muito boa opção para quem quer ter um sistema profissional de fotografia de paisagem. Com uma seleção de objetivas excelentes, com preços simpáticos e com uma dimensão muito reduzida (a 8-25mm, é o sistema perfeito para quem quer versatilidade a bons preços e um sistema mais compacto.
  • A Sony a7R IV (ou a Sony a7R V) é uma das câmaras com melhores prestações para fotografia de paisagem no mercado. O sensor com imensa resolução e dynamic range permite capturar detalhes impressionantes. Aliando a isto, a quantidade de escolhas para objetivas, desde as excelentes Sony, às inovadoras Sigma e às Viltrox, permite garantir um sistema profissional de excepção para este tipo de fotografia.
  • A Canon R5 Mark II é uma câmara excelente em tudo o que faz, com toda a qualidade que se espera de uma câmara High-End. É extremante versátil, e com a RF 16-28mm f/2.8 do Combo faz um par de alta qualidade.

Qual o melhor combo depende de vários fatores: Qual o orçamento? Qual o objetivo com as fotografias? Se já fotografam, qual o vosso sistema atual, e será este compatível com algum dos apresentados acima?

E são estas as únicas, ou as melhores propostas objetivamente? A objetividade é sempre difícil de obter, aquilo que é o melhor para uns pode não ser para outros. Mas existem muitas alternativas, muitas delas excelentes. Felizmente, na confusão aparente que é o mundo da fotografia quando procuramos comprar um equipamento novo, existem sempre alternativas melhores para cada um, e para isso, as nossas portas estão sempre abertas para aconselharmos individualmente, tendo em conta as necessidades, objetivos e expectativas de cada cliente.

Qual o vosso kit para fotografia de paisagem? Destes apresentados por nós, qual o teu preferido? Deixem os vossos comentários ou sugestões para próximos artigos em baixo.

Queremos deixar ainda uma palavra de agradecimento às várias marcas que enviaram equipamento para este teste, sem vocês não tínhamos conseguido algo tão interessante e completo. Um agradecimento em especial à Canon que disponibilizou uma quantidade absurda de equipamento, incluindo a objetiva Canon 16-28mm F2.8 IS STM, saída apenas uns dias antes dos testes.

Um muito obrigado também ao Pedro Grão, que foi quem escolheu o lugar para as fotografias e quem tratou de carregar no “gatilho” para obtermos estas imagens do comparativo.

Lista de equipamento utilizado neste comparativo:

Combo 1:

Combo 2:

Combo 3:

Combo 4:

Combo 5:

Outros equipamentos:

Filtros NiSi Optics:

Tripé:

Câmara para os reels:

Microfones para os reels:

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