Retrospectiva 2025 Viltrox: Os lançamentos do ano

Retrospectiva 2025 Viltrox: Os lançamentos do ano

Em 2025, já poucos têm a antiga percepção da Viltrox, marca que era vista como chinesada, equipamento com baixo controlo de qualidade, e qualidade duvidosa. Em 2025, a Viltrox já não é uma marca Chinesa do underground que só interessa a pessoas que procuram objetivas de carácter acentuado (leia-se “objetivas más”). E em 2025, a Viltrox é uma das marcas mais faladas online, não apenas por aquele influencer que fala de tudo desde que lhe paguem, desde objetivas duvidosas a filtros terríveis, em suma o influencer Temu.

Vamos ver como é que a Viltrox se safou em termos de avaliação, mas digamos que lançou 13 (!!!) objetivas e adaptadores este ano, o que nos deixa a questionar, será que a quantidade reflete a qualidade, ou como habitual, quando a esmola é muita o santo desconfia?

Adaptadores e Teleconversores

Começamos pela categoria que normalmente deixa as pessoas menos interessadas. Quero prender-vos até ao fim do artigo, onde tirarei uma conclusão que pode ser uma sequência lógica do que disse ao longo do texto, ou algo totalmente diferente, para criar choque e garantir aquela interação que tendem a não fazer quando concordam com o desenvolvimento do artigo.

Estou a brincar, em primeiro vou falar do Adaptador E-Z, que é um dos artigos mais entusiasmantes de 2025, na realidade. Verdade, não é o primeiro adaptador do género, a Megadap tem algo desse estilo, mas, além de não existir nenhum vendedor da marca em Portugal, afetando questões como a garantia, é 2,5x mais caro, e faz essencialmente o mesmo.

O que é que torna este E-Z tão entusiasmante. Numa palavra? Sigma. Este adaptador permite usar objetivas fantásticas e únicas como a Sigma 500mm f/5.6 Sport ou a Sigma 14mm f/1.4 na Nikon Z8 ou Z6 III ou Z f. Claro, a possibilidade de usar objetivas como a Sony 50-150mm f/2 GM ou a 28-70mm f/2 GM também não é de deitar fora.

Funciona bem? A Viltrox tem atualizado firmwares, e feito novas versões, incrementando a eficiência do adaptador. É perfeito? Uns serão mais justos à montagem, outros com mais folga, mas isso é algo que quem quer usar objetivas não nativas tem de entender que não há grande volta a dar (até porque a Viltrox não deve ter pedido licença à Sony e à Nikon para fazer algo do género! ahah).

Já em Dezembro deixou novas apostas, estas que ainda não tivemos hipótese de testar (mas já estão nas nossas instalações, disponíveis para compra). Em primeiro, o Teleconversor 2.0X, para Sony E ou para Nikon Z. A versão para Nikon Z, já anunciada, aparentemente ainda não está disponível, mas a versão para Sony é uma opção low-cost e compatível com uma super vasta gama de objetivas.

Depois um gadget engraçado, mas não essencial, para utilizadores de Fujifilm x100 (compatível com toda a série de câmaras). Essencialmente uns conversores de encaixe que aumentam ou diminuem o ângulo de visão da objetiva base. Podem transformar a objetiva, que é equivalente a uma 35mm em Full Frame, numa 28mm ou numa 50mm, o que permite aumentar a versatilidade da câmara. A marca garante que estes conversores estão construídos com vidro de alta qualidade para evitar degradação de imagem ou aberrações cromáticas.

Objetivas Mirrorless

A Viltrox começou uma espécie de rebranding há 2 anos, com a introdução das objetivas de série PRO, na altura a 75mm e a 27mm f/1.2, ambas para sensores APS-C. Desde então criou mais 3 séries:

  • a série AIR, uma série compacta, leve, sem quaisquer controlos na objetiva (excepto anel de foco) e sem proteção contra intempéries, direcionada para o fotógrafo amador, mas com uma qualidade de imagem impressionante para o preço (a vasta maioria delas estão a menos de 200€)
  • a série EVO, que ainda não conhecemos perfeitamente bem, por apenas ter uma objetiva no seu rol, mas que parece ser um pouco acima da AIR, já com alguns controlos na objetiva e com uma qualidade de imagem a competir algumas centenas de euros acima.
  • e por fim a série LAB, colocada acima da PRO, com objetivas de peso (figurativa e literalmente). É a série realmente profissional da marca e é feita para competir com as melhores (tanto as linhas S da Nikon como GM da Sony e Art da Sigma).

Vamos por ordem de séries, começando da mais amadora para a mais profissional, que eu gosto de ordem!

Série AIR

Em primeiro a Viltrox AF 25mm f/1.7 AIR. Esta super-ligeira (peso inferior a 200g) objetiva standard, com ângulo de visão semelhante ao que se ia obter com uma 38mm em Full Frame, completa as primes standard para esta série, para sensores APS-C. Se em Fuji há uma ou outra alternativa (ou piores ou bastante mais caras e pesadas), em Sony e Nikon não há nada de semelhante, tornando esta uma das favoritas dos clientes.

De seguida, foi lançada a Viltrox AF 50mm f/2.0 AIR, esta para sensores Full Frame, e a terceira da série para esta gama, precedida pela 20mm f/2.8 e pela 40mm f/2.5. O yours truly fez uma review completa, e tenho de admitir que me deu muito mais gozo do que teria direito, por este preço. É uma nifty-fifty praticamente perfeita (e pelo preço, as pequenas falhas que tem são perdoáveis). Aproximadamente 200g e 200 paus, o que há para não gostar.

Se eu tivesse de escolher a objetiva da marca que menos me interessou todo o ano, o meu voto ia para a Viltrox AF 15mm f/1.7 AIR. Não é por ser má, que não é, nem por ser um pouco mais cara que o resto da série, que é mas de forma ligeira. É o comprimento focal que não é carne nem é peixe, equivalente a 22,5mm em Full Frame. Não sou, claramente, o mercado alvo para uma coisa destas, mas a verdade é que continua a ter todos os pontos fortes da série, que tem um trajeto absolutamente irrepreensível em câmaras para sensores APS-C.

Nenhuma das três marcas contempladas com uma versão desta 15mm tem algo semelhante para a gama de preços.

Depois, e lançadas no mesmo dia, um par de grandes angulares como manda a lei. A Viltrox AF 14mm f/4.0 AIR, para câmaras Full Frame, e a Viltrox AF 9mm f/2.8 AIR, para câmaras APS-C, estão mais tempo esgotadas que em stock. E nós compreendemos, são 2 apostas super-low cost que têm uma correção de distorção muito boa, boa resolução e autofoco rápido e preciso. Podemos dizer que estas duas mataram duma vez algumas opções manuais do catálogo. Brutal!

Série EVO

A nova Viltrox AF 85mm f/2.0 EVO é uma objetiva bastante impressionante. Desenhada essencialmente para substituir a 85mm f/1.8, já com uns anos, a nova EVO tem algumas especificações impressionantes. Pesa aproximadamente 140g a menos que a versão f/1.8, menos 1.5cm de comprimento e 1,1cm de diâmetro, usando filtros de 58mm, em vez dos de 72mm da versão 1.8. Além disso tem um botão programável, um interruptor AF/MF e um para tornar o anel de abertura clicável ou suave.

Tudo isto por menos 60€ que a versão f/1.8, e, pelo que já vimos, tem uma qualidade de imagem bastante boa. Excelente opção para fotógrafos de retrato, sem dúvida!

Série PRO

Vimos este ano as primeiras objetivas da série PRO para sensores Full Frame. São objetivas com foco rápido, algum carácter, quando totalmente abertas e muitas especificações premium.

Primeiro a Viltrox AF 85mm f/1.4 PRO. É bastante maior e mais pesada que a irmã EVO, apesar de ter as mesmas características premium. No entanto os motores de foco Dual HyperVCM , permitem um foco muito mais rápido e preciso, além de silencioso. Esta gama é pensada no fotógrafo híbrido, que precisa de objetivas excelentes para fotografia mas também para vídeo e esta objetiva não desilude. A abertura máxima f/1.4 é rápida e garante uma profundidade de campo focal milimétrica, assim como a utilização em condições de iluminação escassa.

Para APS-C a muito necessária Viltrox AF 56mm F1.2 Pro. Neste momento ainda apenas disponível para Fujifilm X e Sony E (os fotógrafos APS-C de Nikon vão ter de continuar à espera), é uma das objetivas mais completas para o seu segmento. Uma ferramenta para profissionais, e a um preço que não limita apenas a estes a sua utilização, vem “concluir” a série PRO para APS-C. É uma objetiva com imensa popularidade e compreendemos a razão para tal.

Por fim, a Viltrox AF 50mm f/1.4 Pro. Apesar de estar apenas limitada a utilizadores Sony E, de momento, a mesma faz as delícias do fotógrafo/videografo profissional Full Frame, com uma objetiva rápida, nítida e cheia de especificações premium. Efetivamente muito mais barata que a concorrência directa, esta objetiva oferece auto-foco rápido e silencioso, proteção contra intempéries, vidros especiais para diminuir aberrações e artefactos. Uma nifty-fifty, bastante nifty, e muito fifty.

Série LAB

Por fim, o canhão. A Viltrox AF 35mm f/1.2 LAB, agora em versão Sony E e Nikon Z, não é uma objetiva tipo brinquedo. É essencialmente 1 kg de qualidade, para quem precisa de uma objetiva profissional de grande qualidade e que permite poupar umas idas ao ginásio.

Auto-foco super rápido e preciso, 2 botões programáveis, interruptores MF/AF e click/declick do anel de abertura, ecrã LCD, esta objetiva não vem para brincar. A sua excelente concorrente direta no sistema Sony E é a Sigma 35mm f/1.2 DG II Art, razoavelmente mais compacta (200g mais leve), mas em termos óticos não sei qual das duas escolheria. Em termos de preço essa dúvida não persiste com a 35mm chinesa a custar umas centenas de euros a menos. Para Nikon Z, a nativa é uma das objetivas f/1.2 mais excepcionais do mercado. No entanto, a diferença de preço permite comprar uma Nikon Zf em promoção.

Conclusão

Pela lista fenomenal de lançamentos de 2025 penso que é espectável qual a avaliação que darei ao ano da Viltrox. Ainda assim quero deixar mais um informação, a somar às restantes: a Viltrox neste fim de ano juntou-se à aliança L-Mount, que conta com Sigma, Panasonic e Leica, entre outras. Isso significa que muitas destas objetivas poderão ser vistas, num futuro que esperamos próximo, na montagem L. Isto torna não apenas o ano de 2025 um ano ainda mais excepcional, mas também deixa a garantia de um ano de 2026 cheio de lançamentos excitantes.

A verdade é que a Viltrox está no topo do que se faz em termos de objetivas na China, mas não está sozinha nessa escalada, com marcas como Sirui e TTArtisan a lançarem objetivas de qualidade a preços imbatíveis. Isto significa para o ocidente que a hegemonia japonesa e coreana em objetivas mid-end pode estar a acabar. Marcas como Samyang, Tokina e mesmo Tamron, que eram extremamente importantes há 5 anos começam a roçar a irrelevância, necessitando de um rebranding forte e assertivo para se voltarem a posicionar num mercado que em tempos lideraram. Sobra a Sigma, ainda lider no segmento, mas cada vez menos sozinha no topo.

Mas isto é assunto para outro artigo, se quiserem posso escrever um sobre isso. Basta meterem aí em baixo, na caixa de comentários, que tanta vergonha têm em utilizar.

Neste artigo falta dar uma nota final à Viltrox. Será que devo dar? (“SIM” gritam vocês em coro). Ok, meninos acalmem-se, bebam o Bongo e comam a sandes mista de pão de leite, a conclusão está mesmo, mesmo a chegar:

E é assim, sem surpresas mas com entusiasmo, que dou o ouro à Viltrox, uma das marcas que mais fez por tornar 2025 um ano de loucos com excelentes lançamentos.

E por aí, quantas objetivas da Viltrox compraram ou ficaram a namorar este ano? Eu sei que tenho algumas na minha lista, à espera que apareçam no sapatinho. O que esperar de 2026? L-Mount, espero que sim, mais umas LAB’s para completar a série de f/1.2 e quiçá a primeira incursão em objetivas Zoom? Resta esperar, e que 2026 seja pelo menos tão excepcional quanto 2025.

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